sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Como tudo começou..

Há quatro dias atrás demos início a um trabalho maravilhoso. Fomos escolhidos para ser trasmissores de um assunto polêmico e até difícil de ser compreendido: a violência. Nós, os convidados, artistas experientes com a arte do teatro - com excessão de três componentes - tivemos a honra de parar o que estávamos fazendo, largar as trivialidades cotidianas e crescer espiritualmente com uma oficina riquíssima com o tema a ser tratado. Foram cinco dias de conhecimento profundo sobre o outro, conhecendo primeiro a si mesmo. Eu diria até, uma sutil aula de psicanálise. Falar sobre violência é um tanto quanto complicado. Porque pelo que entendí, tudo se começa pela boca. Por uma palavra mal direcionada que depois se transforma no gesto arredio. Mas como típicos brasileiros nao fugimos à luta. Transformamos todo o aprendizado em arte. Colocamos à mostra o que nos corre nas veias: talento, vontade. Construímos a ferro e fogo um roteiro, um espetáculo teatral. Por cima de olhos, nem todos atentos, por cima de discussões nem sempre favoráveis, por cima até de vaidades trocamos a pele que vestimos todos os dias por uma mulher que apanha do marido e se cala, pela psicóloga que oferece ajuda, pela vizinha que não conhece a Lei Maria da Penha. Fomos agraciados pela ajuda indescritível de Nil Moura. Ele que, com sua arte circense abriu mundos em nossas cabeças para compreender o princípio da violência e não só isso. Eu fico me perguntando como um cara que tem na carteira de trabalho o registro de PALHAÇO consegue me fazer pensar tão sério sobre o meu e o mundo dos outros. Palavras que nos balançavam, que atravessava a fronteira da teoria para algo prático diante dos nossos olhos. Nunca vou esquecer a história da árvore. Nunca vou esquecer aquela primeira aula teórica, que de teórica mesmo, não teve nada. Nunca vou esquecer nenhuma das aulas de Nil.


Por sorte também tivemos o prazer de conhecer o trabalho sério de
Nilton Lopo. Um cara experiente, que sabe bem o que quer em cena. Sem falar no ser humano do bem que é, responsável, dedicado e apaixonado por arte. Dessas pessoas que quando trabalham, trabalham. Talvez, algumas pessoas não tenham entendido isso nos processos de criação. O que ao meu ver é um privilégio e presente para um diretor: não ser entendido por todos nem precisar ser. Acho até que a construção pessoal do diretor está aí. Em colecionar experiências e enriquecer com isso, para um trabalho tão complexo como é a arte de interpretar.

Sem falar no maravilhoso
buffet que tínhamos a cada pausa do processo. Essas atitudes serviram para nos mostrar que aquele era um trabalho sério e que num futuro próximo renderemos os frutos. Significa além disso, respeito ao artista e confiança na nossa capacidade. Uma semana não é suficiente para a formação de um ator/atriz. Mas o que aprendemos alí serviu primeiro para a nossa formação como ser humano. Aprendemos como lidar com o mundo hostil lá de fora com o molejo de artistas que temos em nós. A partir disso, será bem mais fácil tocar o coração do outro (com qualquer assunto) sobre a saúde da alma.


Depois de um tempo ninguém mais sabia quem já era experiente nos palcos ou tava alí pela primeira vez. Incrível como nos aprofundamos nas raízem que geram a violência, a busca pela cultura de paz e o efeito que tudo isso nos causa.
Estamos ansiosos pelos palcos, o trabalho só começou. E só nao arrumo uma briga pra saber logo de uma data porque sou adepto da paz.
Chega de violência
: ) .




Além de atualizar este blog, postarei também as fotos da minha câmera e as possíveis neste endereço: www.fotolog.net/artistasserido . Diariamente estarei postando uma nova foto e comentando a mesma. Portanto, todas as fotos serão colocadas à disposição dos componentes que formam esse grupo.


Por: Wendell Jales (ator).



Um comentário:

  1. noosssa realmente foi muito legal essa oficina de teatro , eu tambem nunca vou me esquecer das aulas de Nil

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